Ela o manda ir pra cama. Como uma ordem.
Ele hesita.
Ela então muda o tom: “Eu acho que você devia ir pra cama” – aconselha.
Ele sorri sem mostrar os dentes, um pouco irônico, como quem pensa que além do tom de voz ela mudou a tática.
Ela o deixa plantado na sala com a sua cara irônica e anda até o quarto.
Ele a segue. Segue porque aquela casa é dele e não vai deixá-la perambular pelos cômodos se apoderando de tudo. Não. Ele já entendeu que ela gosta de dar ordens e que se ele se descuida ela toma todos os espaços.
Os dois chegam ao quarto quase juntos. Ela para ao lado da cama e espera que ele deite.
Ele, por pirraça, continua de pé.
Ela começa a se despir. Joga a camisa num canto do quarto. Desabotoa o short e o deixa cair no chão. Tira um pé e depois o outro e ali mesmo fica.
Ele continua de pé. Meio catatônico, meio desconfortável. Como quem corre um risco.
Ela fica nua. A princípio ele olha tão fixamente o olhar que ela lhe lança que nem percebe a nudez.
O olhar dela se desvia para a cama. Libertos, os olhos dele reparam o corpo agora nu da mulher . O restante da roupa se foi.
Ele, por reação, está de pé.
Ela diz que ele “devia” ir pra cama, ela usa “devia”, com um tom é de quem pede, como quem diz “podia”. Ele até ouve um “por favor” que ela não disse.
Ele deita e ela sobre ele.
Os seios nus sobre o peito dele, a boca aberta junto à dele, a respiração suave e morna se misturando no pequeno espaço entre os dois.
Ela se deixa tocar. Um braço, o direito, comprimindo as costas dela diminuindo o espaço entre os corpos. O braço esquerdo atravessa a extensão do tronco. O punho repousado na bunda enquanto a mão retorcida mete-se por entre as pernas. Os dedos encontram a umidade de suas mucosas. Ela derrete-se.
Ainda que completamente submetida por aquele homem ela sussurra em seu ouvido, rindo, vitoriosa:
“Você está na cama?”






