Sobre o bandido ladrão de Hornet

Eu tento ficar totalmente alheio dos assuntos que rolam há mais de 2 dias na internet por dois motivos: 1 – É um saco render assunto, parece discussão com namorada sobre seus rolos do passado e; 2 – por que é chato mesmo. Porém, o assunto que tem se discutido ferrenhamente nestas últimas 48 horas é o caso do bandido que levou chumbo após roubar, de mão armada, uma Hornet de uma pessoa em São Paulo. O proprietário da motocicleta gravou tudo e o vídeo está rolando na internet desde então.

Se você não viu o vídeo, veja abaixo:

Eu tenho uma opinião bastante ríspida, no que se refere à ladrões, principalmente os que ameaçam (ou atiram em) você com uma arma. Como não saberia escrever sem ofender os defensores da moral e dos bons costumes e os pró-direitos humanos, preferi me abster de comentários. Entretanto, o Cleiton Souza fez um texto no Facebook hoje que sintetizou toda a minha opinião sobre este caso e todos os outros que tem por aí. Leia a transcrição na íntegra:

Ontem caí na besteira de me engajar em várias discussões sobre esse negócio de ser certo ou não um bandido ser baleado, e li, mais de uma vez o argumento:

“É fácil para você, que tem tudo na mão, julgar a vida de uma pessoa que não teve as mesmas oportunidades”. Ora caralhos que me fodam. Muito pelo contrário.

Enquanto muitos que discutem problemas sociais e econômicos tentam, de dentro de uma discussão em sala de aula, entender o comportamento do povo de periferia, eu era o adolescente da periferia de SP sem dinheiro e “sem oportunidades”.

Antes de estudar esse tipo de coisa nas aulas de sociologia e comportamento humano, eu as vivi.

Esse coitadismo, esse lance de “oportunidade” não existe nas quebradas. Isso é um debate gerado por pessoas que leem muito Sakamoto e acham que as novelas da Glória Perez são a realidade da periferia.

É esse o problema. Quem se engaja nessas causas e pensamentos sobre classes sociais desfavorecidas também nunca viveu de perto, só leu, só visitou uma favela ou subúrbio. Não faz ideia de como seja, de fato, a vida por lá. Apenas imagina que seja como o clichê da discussão social diz que é.

Não acho fácil dizer o que digo, sobre bandido merecer morrer. Vi um amigo de colégio, morto, logo após cometer um assalto. E ele era mesmo meu amigo, sempre conseguiu ganhar dinheiro trabalhando e até mesada. Mas o que ele queria era a emoção e o caminho mais rápido.

O problema não foi a tal falta de oportunidade.

A desculpa de “o bandido não teve as mesmas chances que eu na sociedade” existe porque, você pode observar, quem nasceu e cresceu na classe média, odeia a classe média e fica nesse constante sentimento de mea culpa.

Assim como muitos outros de onde cresci, nenhuma oportunidade caiu no meu colo. Eu que fui atrás. Se a questão é necessidade financeira, sempre há uma maneira de tentar sobreviver. Quem investe R$ 800 para comprar uma pistola também poderia investir R$ 800 em caixas de paçoca para vender no ônibus. Mas sei lá né, eu sou só mais um criticando o povo que não teve chance.

Quem não teve chance foi a Juliana, que ao sair da minha festa de 15 anos, levou 5 tiros a 200 metros da minha casa por chorar ao ser assaltada.

Antes que desçam o porrete no Policial que atirou no bandido (que já estão fazendo), ao pausar o vídeo um pouco antes do tiro, o meliante apontou a arma para o PM (veja o frame aqui).

Enfim, é isso. Descanso minha mala e encerro o assunto com um recado do He-man, que também serve para a ocasião:

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Rogério Lima

Ex-pagodeiro, Empresário, Gamer, Capixaba e criador desse e de outros ~trocentos~ blogs. Está nessa vida desde 2003, mas não ficou nem rico e nem famoso. Gosta muito de receber brindes, mas é sempre esquecido.

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