Existe essa mulher loira. Não. Ela não é ruiva. É loira mesmo. Todos os pelos do corpo muito branco são loiros. Ela está sob as cobertas ronronando. O ar frio entra pela janela e ela nua.
O homem também existe. Já se enfiando por baixo das cobertas ele respira, ofegante, como todo ser que existe.
“Olha pra mim”- ela diz.
Ele olha.
“Acho que a gente tem um problema com esse lance de realidade”
Mas o que ela quis dizer é que ela tem um problema. Descrever a realidade não é tarefa fácil. Não é porque ela não acha que o que vê esteja realmente acontecendo. Foi mais algo que ela projetou por tanto tempo que agora já perdeu a noção do que é projeção e o que é real.
Ela sente, tateia o corpo dele no escuro, é exatamente como ela imaginou. Ela não vê. Mesmo que alguma claridade entrasse no quarto ela não veria. Os olhos fechados e a boca aberta como se assim fosse possível sentir mais e melhor.
E ela sente. A língua dele nas mucosas dela. As mãos nas coxas. Na bunda. Percebe como é difícil saber o que é real? Neste momento ele teria muitos braços. Ela sente que tem seu corpo agarrado por vários braços ao mesmo tempo. Peitos, bunda, coxas, costas. E mais um par de mãos que se agarram ao seu pescoço com força.
Dor ela não sente. Mas prazer… os olhos fechados e a boca aberta.
Muito prazer.
Essa é a expressão exata, dela, quando tem um orgasmo. Mais real que isso ela não sabe fazer.







Uma resposta
We love Cora.