Sexo e as Nega: Só teve coisa ruim?

Respondendo a minha própria pergunta, acredito que: Não. Você vai entender o motivo se acompanhar meu raciocínio ao longo desse texto.

Resumindo a série (e já colocando alguns pontos que eu acho que deveria ter), “Sexo e as Negas“, criada pelo Miguel Falabella, foi inspirado quase que totalmente em “Sex and the City”, uma famosa série Americana. Porém, usou-se do velho e conhecido combo estereotipado “negro” + “favela” + “baixa renda” para poder conduzir a história, fazendo que surgisse aquelas velhas e conhecidas críticas à emissora e ao autor, obviamente, pela conduta racista que a série tomou.

Claro e evidente que não posso tomar uma postura negativa à toda série tendo assistido apenas o primeiro capítulo. Mas acho (na minha opinião) que nenhuma crítica (ou denúncia) teria sido feita se o combo fosse alterado para “negro” + “favela” + “bem sucedido”. O que, aos olhos de qualquer pessoa, não condiz. Afinal, nunca ouvi falar que alguém cujo a renda melhore, não queira sair de uma favela. Enfim…

Neste ponto (do negro bem sucedido e fora da favela), os diálogos seriam outros. O ponto de inveja, afinal, negro não pode ser bem sucedido; O ponto do drible, dos negros bem sucedidos saindo de uma situação racista. Seria legal, haja visto esse tipo de enredo nunca foi levado às telas por nenhuma emissora, mas não foi isso a pegada da série. Vendo por esse ponto, a fuga da realidade não foi tanta, afinal. Até por que, neste país de racismo velado em qual vivemos, negros bem sucedidos são poucos, infelizmente. Para chegar a um nível “Joaquim Barbosa” no Brasil, um negro tem que ralar mais que na época da escravidão.

Eu sendo negro (mesmo com muitos não me achando negro), vindo de família negra (só o meu pai é branco), tenho que pegar e olhar apenas pelo lado positivo que “Sexo e as Negas” pode trazer para o cenário.

O que eu vi, vendo o primeiro capítulo, foram 4 negras dispostas a viver. Dispostas a encarar a vida de frente, de modo independente, mesmo lidando com situações difíceis que a vida as proporciona. Negras que, com trabalho suado, conseguem sair, se divertir e dar uns pegas nuns caras por aí. Claro que a maioria das mulheres não pensam em sair e dar uns pegas por aí, mas tem uma minoria, com uma quantidade considerável, que pensam como homens. Deste mesmo jeito.

Vi Negras que sabem o que querem e que se valorizam acima de tudo. E eu achei isso sensacional.

Claro que tem seus pontos de exagero, mas nem tudo é perfeito. Vacilo não foi ter colocado a Zuma (interpretada pela ex-Rouge Karin Hils) para narrar a história, como na série “original”. Afinal, como em várias críticas que li por aí, soa um tom machista com o próprio Falabella narrando.

Um fato é: série de ficção não pode corresponder com a realidade. Se fosse, iniciaria com “baseado em fatos reais”. As pessoas já deveriam saber que a Televisão não é o espelho da realidade, mas uma lente de aumento de uma parte dela.

Eu cheguei a comentar sobre a burrice desnecessária que é denunciar uma coisa que não tinha ido ao ar ainda. Há seus motivos para protestar assim? Pelo ponto de vista do coitadismo, há. Pelo ponto dos negativistas, também. Assista:

Sexo e as Negas não é tão depreciativo assim quanto aparentou ser, mas também não é uma coisa que agrada a todos. Como disse, alguma coisa iria incomodar em algum ponto, afinal, nem Cristo agradou totalmente. Poderia ser melhor? Sim. Poderia ser menos estereotipado, também. Mas também poderia ter menos gente chata no mundo.

Em tempo: Se fosse tão pejorativo/depreciativo assim você acha que as atrizes teriam topado fazer a série?

É isso.


Quem é Rogério Lima

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Ex-pagodeiro, Empresário, Gamer, Capixaba e criador desse e de outros ~trocentos~ blogs. Está nessa vida desde 2003, mas não ficou nem rico e nem famoso. Gosta muito de receber brindes, mas é sempre esquecido.

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