Guarapari: É ruim, mas é bom!

“Quer viver um sonho lindo”. Essa é a chamada que tem na primeira frase da “Valsa de Guarapari”, considerada como o hino oficial da Cidade. O “sonho lindo”, na verdade, não é tão lindo o quanto a população queria, muito menos o que é sonhado na letra da Valsa, pelo menos quando o assunto não abrange os recursos naturais. E, aproveitando que hoje comemora-se o aniversário da minha cidade natal, trago algumas considerações sobre o que eu acho e vejo da chamada “praia dos Mineiros”.

Nunca fiz um post específico sobre o município. Acho que essa é uma boa oportunidade.

bacutia

O pôr-do-sol em Bacutia me fará pegar leve nesse texto, podexá!

Toda a vez que vou falar sobre Guarapari, sempre bato na mesma tecla: Ela padece da má administração há um longo tempo. Foram vários anos de desmandos dentro da cidade, 6 favelas ocupadas desordenadamente, desvios de verba, perda de verbas para grandes investimentos, disputas de ego e uma imensa desorganização em vários aspectos. Acredito que 90% das cidades Brasileiras passam por isso, mas parece que Guarapari tem um algo a mais.

Desde que eu me entendo por gente, existem 3 classes de moradores aqui: Os familiares, que são pessoas que tem o mesmo sobrenome e todo mundo conhece todo mundo (como a minha família aqui, por exemplo); os Políticos, que são aqueles que ocupam cargos praticamente vitalícios na Câmara dos Vereadores e; Os “coronéis”, que são as pessoas intocáveis do Município, que mandam e desmandam e, ainda, sobrepõem as suas vontades acima das vontades da população em geral.

Com o passar dos anos, surgiu a 4ª e maior classe da cidade, que é a população mesmo. Em menos de 15 anos a cidade quase duplicou sua população, saltando de 80 para quase 130 Mil habitantes. É assustador, pelo menos para mim, observar o quanto essa cidade cresceu nesse período de tempo. Com essa nova classe, a dos “Familiares” está quase se perdendo, sobrando apenas aqueles que fazem parte de famílias tradicionais, com o maior número de pessoas ou que possuem um passado histórico na cidade. Os políticos, por exemplo, diminuíram bastante sua presença vitalícia (mesmo ainda sobrando um ou dois que fazem do cargo de Vereador sua carteira assinada), mas os Coronéis ainda estão por aí dando seus pitacos. Um bom exemplo foi a forçada proibição de trios elétricos nas orlas das principais praias da cidade. Para uma cidade que atrai turistas festeiros, é ruim. Para um turismo de qualidade, não.

Mas não quero me prolongar nesse assunto. Só quero que você, amigo leitor, entenda o imbróglio da Cidade. Afinal, isso não interessa a você, do mesmo modo que não há interesse no “endoturismo” (termo que criei aludindo o turismo para a própria população e não para gente de outras cidades/estados).

Vou explicar de modo rápido e conciso: Guarapari possui 52 praias. Se você perguntar para qualquer pessoa quantas praias tem na cidade, nenhuma irá te responder mais de 20. Nenhuma pessoa (e quando falo nenhuma, é nenhuma mesmo) sabe nome de ruas. Conseguir uma informação para se chegar em qualquer lugar da cidade chega a ser irritante, ao ponto do Google Maps com os nomes antigos das ruas (nomes antigos pois a cada administrador que entra, os nomes mudam como passe de mágica) ajuda mais que as pessoas. Nada acontece feijoada.

Além disso tudo, Guarapari não possui um calendário fixo de festas. Até se tentou fazer em uma das gestões passadas, mas nada aqui dura. Com exceção do Carnaval “tradicional” que acontece no Centro, nada mais tem. É uma verdadeira cidade Pacata (Pacatolândia, como eu carinhosamente a apelidei). Mas não no Verão.

Uma pequena amostra de como fica a praia do bairro que eu moro, a Praia do Morro.

No Verão, tudo muda. A cidade se transforma. Tudo passa a ser do Turista. A população que se foda. Sempre foi assim e parece que caminha a passos de formiga para não mudar. É triste e, ao mesmo tempo, irritante aqueles ônibus cheio de turistas baixa renda que param no meio da rua com 40 pessoas para encher uma casa com 6 cômodos passar uma semana fazendo barulho, sujeira e “farofagem” na praia. É a visão do inferno. E o trânsito? Nem se fala. Tudo para. E, para completar, o atual prefeito resolveu atender, de forma muito mais do que eficaz, a lei de “lombo-faixas” colocando mais de 300 pela cidade inteira.

Está ó: Uma bosta.

Mesmo com esses problemas (e mais tantos outros que não quero relatar aqui, ou esse texto teria mais de 30.000 palavras), eu não consigo sair daqui. Parece um imã. Não suporto praia, mas não me vejo longe dessas coisas lindas que existem aqui. O ar, o mar perto da montanha, os amigos. Tudo em Guarapari me prende. Pareço aquelas mulheres de malandro, entende?

Tive uma oportunidade de ir morar em Belo Horizonte, mas foi só aparecer uma oportunidade que voltei correndo como uma putinha. Amo Guarapari e sei que não nasci aqui à toa.

Tenho na minha cabeça que devo mudar isso de algum jeito. Hoje ou amanhã. Penso no meu histórico dentro da cidade, no histórico da minha família e o que posso fazer no futuro, para que meu filho possa amar tanto essa cidade “safada” o tanto quanto eu.

Esta é a minha cidade. Onde eu moro. Onde nasci. Onde pretendo viver, mesmo disputando espaço com turistas sem educação no transito, praia ou supermercado.

Guarapari de um jeito que você nunca viu – Por Kassio Lemos

Parabéns, Guarapari!

Buscando por “Guarapari” aqui neste blog, você verá mais coisas que só acontecem por aqui.


Quem é Rogério Lima

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Ex-pagodeiro, Empresário, Gamer, Capixaba e criador desse e de outros ~trocentos~ blogs. Está nessa vida desde 2003, mas não ficou nem rico e nem famoso. Gosta muito de receber brindes, mas é sempre esquecido.

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