Divertics, pero no mucho

Desde que estreiou, no primeiro Domingo de Dezembro de 2013, o Divertics virou alvo dos críticos de plantão e, por conta disso, começou a me bater aquela curiosidade de “será que é tão ruim assim pra todo mundo estar falando mal ao mesmo tempo?”. O tempo passou e, no último dia 19 (Domingo), resolvi não sair da frente da TV para poder assistir e analisar, com vários pontos de vista e não só do ponto de vista crítico, o programa inteiro, seguindo o modo como sempre faço na coluna “Fora do Ar” aqui neste blog.

divertics

Antes de mais nada, vamos sair de uma base: A Globo faz/copia/reproduz programas para a Classe “C” e “D”. É um tipo de público que exige tudo mastigado inclusive, explicações de piadas. Nós, pessoas cultas e informadas, que baseamos nossas opiniões no conhecimento (salvo comentaristas de portais, de Youtube e adolescentes do rolezinhos), iremos achar que é um programa fraco. E é. Porém, como disse, não é para você. Você não é o Target. Basta ver as propagandas que passam no intervalo de cada bloco. A segunda coisa: O programa é como se fosse um SNL (Saturday Night Live), mas não o original, e sim aquele que passou na Rede TV!, liderado pelo Rafinha Bastos com um pouco mais de grife misturado com “É tudo improviso”, que passou na Band em meados de 2010. Se você não assistiu o SNL, deu sorte veja no Youtube. Então, sabendo desta duas bases, vamos à nossa análise.

O primeiro ponto analisado é: Qual a necessidade de “contrarregras” que fazem parkour, malabarismo ou outros tipos de firulas e piruetas para colocarem os itens de cena? Pra mim, desnecessário e totalmente fora do contexto. Salvo se os criadores do Divertics encaram o programa como se fosse um Circo. Aí tudo bem.

O segundo foi o próprio texto dos atores. Textos manjados. Esquetes idem. Pelo menos neste episódio que assisti, o Luis Fernando Guimarães parecia totalmente incomodado. Como se não estivesse à vontade em estar ali fazendo isso. Algumas piadas são tão forçadas que o punch* consegue estragar tudo. As inserções do Jorge Fernando durante algumas esquetes também me fizeram me perguntar “pra que?” e achar que ele, na verdade, está controlando um grande video game sem graça.

Quem parece querer salvar o programa, aplicando bons e engraçados (sim, não escrevi errado) improvisos, são os atores Leandro Hassum, Nando Cunha e Rafael Infante (do Porta dos Fundos). Quem deveria aplicar mais este tipo de coisa por ter mais experiência com improviso, não o faz, como a Mariana Armellini. Uma cena das gêmeas siamesas, que a própria fez várias vezes em 2010, no programa “É tudo improviso” (veja aqui), conseguiu se embananar no texto e deixar a Maria Clara Gueiros se sobressair. Seria como se a Mariana fosse atriz de decoreba e a Maria Clara uma de improviso bem experiente. Não foi legal de se ver.

Ainda falando sobre os improvisos, sempre quando saiam e voltavam pro texto, para a finalização da esquete, parecia que a piada ficava cagada. Deveriam terminar improvisando e não retornando pro texto, mas eles devem ser obrigados pelo “padrão Globo”. Um desperdício.

Como na “Turma do Didi”, os erros também são engraçados. E só.

Nota-se, também, que filmam pouco a platéia, justamente para não mostrar que não estão se divertindo tanto quanto o nome do programa sugere.

Eu deveria falar sobre os outros atores, mas daria no mesmo. Concluindo, acredito que “Divertics” seja uma experiência para outro horário, com outras piadas, do mesmo modo que aconteceu com o “The Voice” que saiu do Domingo para ir para um dia da semana, para atingir outro target e, assim, agradar. Agradar alguns, vamos ser claros, já que a versão americana é bem melhor. Mas isso é assunto para outro texto.

Ao terminar de escrever este texto, dou de cara com uma coluna da Patrícia Kogut (que é da Globo), descendo a lenha. Leia aqui.

E você? O que acha do Divertics? Seu comentário poderá ser fundamental para a conclusão deste texto.

*Punch: É o ápice da piada. O momento de finalizar e fazerem as pessoas rirem. Como o nome diz, um verdadeiro “soco”.


Quem é Rogério Lima

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Ex-pagodeiro, Empresário, Gamer, Capixaba e criador desse e de outros ~trocentos~ blogs. Está nessa vida desde 2003, mas não ficou nem rico e nem famoso. Gosta muito de receber brindes, mas é sempre esquecido.

1 Comentários/Trackbacks

  1. Acho que a banda é a melhor parte do programa de longe.
    Podiam colocar só eles tocando durante todo o horário que já estava ótimo.

    Renato Guedes / Responder

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