ADNIGHT: O Programa incompreendido

Marcelo Adnet conseguiu mais uma: Depois de emplacar o seu “Tá no Ar“, ele trouxe o novo “Adnight” para a grade da poderosa Rede Globo de Televisão. E é sobre esse novo programa que iremos tecer nossos comentários hoje, ao mesmo tempo que retomamos nossa programação aqui no Bobolhando.

É, eu sei, está um pouco fora de timing e já passou até reprise do programa. Mas, o que vale é produzir e produção é e sempre vai ser atemporal. Enfim…

Quem acompanha já sabe: programas na Globo, principalmente os de auditório, tem um padrão para a estreia: Tem que ser engessado, com quadros bem definidos e seguir uma espécie de ritual. Isso é assim desde a estreia do programa do Faustão, lá em 89. Aconteceu (e infelizmente continua acontecendo) com o “Tamanho Família”, do Marcio Garcia e não seria diferente na estreia de Adnight. Sem contar que nela ele teve como convidado, além de seu ídolo publicamente declarado, um ícone da “seriedade” da Emissora: Galvão Bueno. Antes da aparição de Galvão, ainda teve diversos outros convidados fazendo algum tipo de zoação deles próprios, como Joel Santana, narrando com o seu excelente Inglês e Pedro Bial, citando até o seu antigo e conhecidíssimo “use filtro solar”.

Em suma, foi notório o nervosismo da estreia por parte do Adnet, a tensão de Galvão por ser exposto demais (inclusive com a participação de Desirré, sua esposa) passando uma imagem de “estou aqui meio que forçado”. Teve quadros longos, alguns curtos, alguns sem graça e teve a sabatina entre Galvão e Cid (Não Salvo) e o famoso “Cala a boca, Galvão“, que só os mais antigos de internet iriam lembrar. No mais, o programa foi morno.

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Galvão e sua esposa, Desireé

Analisando friamente

Eu gosto de dar meu parecer sobre alguma estreia somente após o terceiro programa, afinal, como disse acima, estreias são engessadas. Logo no começo do segundo programa, que teve Cauã Reymond como convidado, o programa começou a tomar mais a cara de Adnet, aumentando o nível de abertura e citações a outros canais. Mesmo mantendo, em quase sua maioria do tempo, o engessamento do primeiro programa.

Nota-se que TEM que se manter um padrão de quadros e atrações no Adnight, mas que isso não deve ser regra. Até por que os programas subsequentes foram mais “bagunçados”. Mariana Ximenes, Dani Calabresa e Eduardo Sterblich (agora contratado da Globo) deixaram o programa mais “desengessado”, diria eu. Até Gugu Liberato, Record e a música “Pintinho Amarelinho” foram citados no programa. Sem contar o duelo de “Silvios” entre Edu e Adnet. Nos outros, Lilia Cabral e Alexandre Nero fizeram de um tudo e até uma “batalha de rap” entre Tonico Pereira e Bruna Marquezine teve.

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Eduardo Sterblich atento à brincadeira “Verdade e Consequência”.

E, acredito, que essa será a linha do programa de Marcelo Adnet.

Adnight tem uma missão de desconstruir (ufa, achei um jeito de usar essa palavra em um texto) os programas de entrevista, ou melhor, os Talk Shows. Em todos os três primeiros programas houve quadros chupinhados de outros programas deste tipo como “The Noite” (Danilo Gentilli, SBT), “Programa do Jô” e, até mesmo, o nome, que lembra muito o da Rede TV, o “Luciana By Night“.

Mas, aparentemente, o estilo e o engessamento apresentados no primeiro programa não agradaram a maioria, que preferiu assistir o bom e velho “A praça é nossa!”, que ganhou em audiência no dia.

Mesmo com essa trava aparente e com suas limitações de “novo programa”, Adnight tem grandes condições de quebrar ainda mais o paradigmas da Rede Globo, que vem se adequando à nova realidade da sua audiência. Mas, ainda tem muito que melhorar para isso acontecer.

No mais, acredito que a Rede Globo ainda tem muito a extrair do humor na casa, principalmente por ter, por contrato, alguns dos maiores humoristas e comediantes da nova geração, como Wellington Ceará, o próprio Adnet, Calabresa, Tatá Werneck e, agora, Eduardo Sterblich.

Ah sim, e também os das antigas, como o Batoré que estava em “Velho Chico”, mas isso é assunto para outro texto!

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Quem é Rogério Lima

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Ex-pagodeiro, Empresário, Gamer, Capixaba e criador desse e de outros ~trocentos~ blogs. Está nessa vida desde 2003, mas não ficou nem rico e nem famoso. Gosta muito de receber brindes, mas é sempre esquecido.

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