A fórmula saturada de Malhação

Se tem um programa que está no ar na TV atualmente e que eu acho um desperdício de tempo e dinheiro gasto em produção, esse programa se chama “Malhação“. Sim, a noveleta interminável da Rede Globo. Assim que entrou no ar a nova programação de 1995, em Abril do mesmo ano, Malhação passou a ser o “amigo dos adolescentes”, com uma história que fazia jus ao nome. Passava-se dentro de uma academia, com gostosinhas, os antigos “pit boys” (alunos de artes marciais metidos à brigões) e muito amor adolescente. Hoje, não passa nem perto disso.

Logo da temporada atual de Malhação.

Hoje (aliás, desde muito tempo atrás), a história se passa na escola. O termo “malhação” nem é usado mais nas rodas adolescentes e nem é o assunto principal da novelinha. O tema se perdeu, mas o enredo não.

Infelizmente, como todas as novelas da Globo (acho que qualquer novela em qualquer canal continua assim), as tramas são iguais: O “núcleo” do mocinho(a), o núcleo do vilão ou vilã e o núcleo da baixa renda. Não se tem histórias originais. Sempre é “o mocinho contra o bandido”, “o bem contra o mau”. Malhação, além desse mesmo enredo sendo arrastado ao longo destes 17 anos, não inovou em nada. Mesmo colocando artistas de renome para contracenarem com projetos de atores, não voltou a ser o que era no começo, quando encantava os adolescentes, antes mesmo de RBD, Justin Bieber e outros. Os tempos eram outros.

A cabeça da gurizada de 13-17 anos hoje não tem nada a ver com os assuntos que forçadamente são expostos, enquanto está passando o programa do Datena em outro canal. Mesmo com as novas adaptações ao “mundo moderno”, como a “TV Orelha” (programete dentro da novela que é um vlog do personagem ‘Orelha’, do ator David Lucas), a vertente não conseguiu emplacar. Em 17 anos, ouvi que a noveleta iria ser descontinuada umas 7 vezes, mas nada de concreto rolou.

E outra: ressucitar personagens, como fizeram com “Mocotó”, não vai atrair o público antigo para voltar a ver a novelinha e nem segurar o público alvo atual. Tanto o personagem, quanto quem assistiu antigamente já passaram da idade e do peso (literalmente). Sem contar as inúmeras tentativas de mudar os “ares” de Malhação, como foi a temporada “Malhação.com”, que foi quase um tiro no pé.

Deixar um programa no ar sem inovar gera tédio. Hoje em dia é difícil ver quem consegue assistir o programa do Faustão por inteiro, por exemplo. Programa este que está há quase 25 anos no ar (1989). Prova disso que o programa que começou com umas 5 horas seguidas, hoje, quando não tem futebol para ser exibido, não dura 3.

Um problema seria resolvido se as tais “temporadas” de Malhação fossem como série. Em formato de série, como nos enlatados Americanos. Cada dia uma situação. Aí sim funcionaria, não seria tedioso e daria espaço, no horário, para outros tipos de programa.

Esse formato insistente de novela, sério, não rola mais. Aliás, não rola já faz tempo.


Quem é Rogério Lima

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Ex-pagodeiro, Empresário, Gamer, Capixaba e criador desse e de outros ~trocentos~ blogs. Está nessa vida desde 2003, mas não ficou nem rico e nem famoso. Gosta muito de receber brindes, mas é sempre esquecido.

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